sexta-feira, 6 de abril de 2007

Cinemas de "reprise"



Lembram-se dos cinemas de “reprise”?
Havia muitos em Lisboa, entre os quais o “Paris”, o “Jardim Cinema”, o “Chiado Terrasse”. Dois filmes por sessão, com intervalo no final do primeiro. Nesse intervalo, um rapazinho novo passeava pela sala com um tabuleiro pendurado ao pescoço, cheio de rebuçados e chocolates. Havia arrumadores, que nos conduziam ao lugar, a troco de uma gorjeta de dez tostões. O bilhete custava cinco escudos.
Lisboa era então dominada pelas grandes salas de cinema, o Monumental, o São Jorge, o Tivoli, o Éden, o Império, o Condes, o São Luiz, salas ditas de “estreia”, onde o bilhete custava doze escudos e cinquenta centavos, só com um filme.
Era assim quando eu era pequeno.
Na Passagem do Ano e no Carnaval, as principais salas organizavam bailes com um conjunto, e enchiam. E aos sábados, a “matinée” infantil, onde reinava o Bugs Bunny, era êxito, pela certa.
Tudo passou.
Vejam na fotografia como o “Paris”, ali na Domingos Sequeira, se encontra, há anos.
Agora temos pequenos estúdios…pipocas, Coca-Cola e…saudades.

7 comentários:

pedrita disse...

que bacana, nunca tivemos cinemas de reprises, é uma idéia genial. aqui o cine sesi promove algumas reprises esporádicas. recentemente promoveu sessões com os melhores filmes de 2006 a bons preços de bilheteria, mas estou com muito trabalho e não conseguir ver nenhum. queria ver o brasileiro céu de suely, mas não deu. beijos, pedrita

teresamaremar disse...

E outras salas ainda.. Royal, Avis, Lis, Vox...
E, anos mais tarde, quando abre o Londres com as suas cadeiras deslizantes? :)

Anónimo disse...

Bela Páscoa!!!
abraços!
elisabete Cunha

Anónimo disse...

José
Bela Semana!
Elisabete Cunha

Teresa disse...

Que saudades, realmente! Nunca fui ao Paris, mas lembro-me de alguns outros, além dos que a Teresa referiu. Roxy, Lumiar, Europa... E no Verão havia as reposições de filmes antigos...

O Londres, o mais confortável de Lisboa até à abertura do Star, lá para 1977, estreou com o Melody (música dos Bee Gees bons, antes do Saturday Night Fever). Tantos filmes que lá vi!

O Cinema Paraíso, inquestionavelmente um dos filmes da minha vida, recria de forma admirável um outro tipo de cinema, que eu só conhecia nas férias: o cinema de província. E lembro-me de que só se podia ir para o balcão - uma vez fiquei na plateia e saí de lá com o cabelo cheio de cascas de amendoim.

E vestíamo-nos para ir ao cinema, lembram-se?

jose quintela soares disse...

Na minha "província", ali para os lados do meio do Atlântico, o cinema era ao ar livre...no Verão.
Só que de vez em quando chove...e lá ficava o filme a meio com todos a fugirem para casa.
O écran era um improvisado lençol, nem sempre bem passado, pelo que algumas rugas...davam à película algo que o realizador não imaginara...
Bons tempos!

Rui Luís Lima disse...

olá!
obrigado pela visita e comentário ao nosso blogue de cinema.O Paris e o Jardim-Cinema foram dois cinemas da minha infância, aos fins-de-semana via quatro filmes recentes por 6 escudos se a memória não me falha, é claro que no Paris entrávamos pela porta lateral e teria que haver sempre uma moeda para o amigo que nos deixava entrar.
um abraço cinéfilo
rui luís lima

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