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domingo, 14 de fevereiro de 2010

Os Grandes Clássicos (3)


Há coisas que são quase impossíveis de realizar em Cinema, como por exemplo, fazer filosofia com a câmara. Mas Ingmar Bergman consegui-o em 1956, com “O Sétimo Selo”.
É, sem dúvida, uma das tentativas mais interessantes para reflectir sobre a introspecção no Cinema.
Passado na Idade Média, com a peste a destruir o norte da Europa, um cavaleiro regressa das Cruzadas à sua Suécia. Espera-o a Morte, como aliás, a todos nós. Mas o cavaleiro procura desesperadamente saber se há uma verdade absoluta, se Deus existe, e se as suas crenças têm justificação. Claro que acaba por morrer sem saber as respostas.
A partida de xadrez é um clássico da Sétima Arte, um daqueles momentos sublimes que se revê como se da primeira vez se tratasse.
A fotografia é de Gunnar Fischer, um preto e branco austero e admirável.
E para espanto de muitos, o Vaticano considerou o filme como de “visionamento obrigatório”, já que era assim que se devia meditar sobre a mensagem divina.
Max Von Sydow tem aqui o seu primeiro grande papel, ele que viria a tornar-se um dos maiores actores suecos, como sabemos.
Nesse já distante ano de 1956, “A Volta ao Mundo em 80 Dias”, de Michael Anderson, ganharia o Oscar de melhor filme, e Fellini, com o seu “La Strada”, o de melhor filme estangeiro.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Os Grandes Clássicos (2)


1945.
A guerra termina, Mussolini é fuzilado, Hitler suicida-se, a Alemanha rende-se sem condições. As bombas atómicas sobre Hiroshima e Nagasaki obrigam o Japão a capitular.
E enquanto Hollywood premiava”The Lost Weekend”, de Billy Wilder, eu destacaria outro filme, e europeu.
Nesta época, aparece em Itália um movimento que marcaria todo o cinema, o neo-realismo. Itália que iria terminar a guerra ao lado dos vencedores, quando a tinha iniciado do outro lado das barreiras. Uma vez mais…
E nele, surge “Roma, Cidade Aberta”, de Rosselini.
O enredo do filme é clássico: luta contra os alemães, repressão, mortes injustas, torturas. Tudo isto com um ar de autenticidade impressionante, suscitando um reconhecimento indiscutível. O dinheiro não abundava, e o realizador teve de se desfazer de algum do seu património para poder terminar a rodagem. E é neste filme que começa a fulgurante carreira de Anna Magnani, que não precisou de evidenciar quaisquer dotes físicos especiais, bastando-lhe o simples olhar para cativar, aliado a um talento enorme.
Sempre que revejo este filme, fascino-me com esta actriz.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Os Grandes Clássicos (1)


Apesar da guerra mundial, 1940 deu ao Cinema, entre outros, filmes como “The Great Dictador” de Chaplin, “Rebecca” de Hitchcock, “The Philadelphia Story” de George Cukor, “His Girl Friday” de Howard Hawks e “The Letter” de William Wyler.
Pessoalmente, da produção deste ano já longínquo, destaco “The Grapes of Wrath” (As Vinhas da Ira) de John Ford.
Ao longo dos tempos, revisitámos amiúde este portentoso filme, e de cada vez descobrimos algo de novo, de espectacular, de notável.
Baseando-se no livro de John Steinbeck, (que escrevia magistralmente quando o whisky o deixava…) registe-se desde logo o produtor, Darryl F. Zanuck, que demonstrou claramente que para fazer bom Cinema não basta ter dinheiro, é necessário rodear-se de quem saiba do ofício. E Zanuck fê-lo.
Começou na escolha acertada do realizador, John Ford, que aqui deixa claro que não era imbatível apenas no “western”, tornando as imagens emocionantes, descritivas e inesquecíveis, sem facilitismos demagógicos.
Nunnaly Johnson, argumentista, transforma os momentos menos “cinematográficos” de Steinbeck em puros minutos de êxtase. No protagonista, Henry Fonda, que para além do enorme talento, soube transmitir ao seu personagem a dose de humanidade que caracteriza tantos e tantos dos seus desempenhos.
E Gregg Toland, responsável pela Fotografia, faz aqui um trabalho notável, ele que foi mestre das contraluzes e dos valores cromáticos das sombras.
Uma palavra ainda para a actriz Jane Darwell, soberba.
“As Vinhas da Ira” relata a odisseia de uma família que ruma à Califórnia, no período da “Grande Depressão” à procura de uma vida melhor. Não é apenas uma família. Conseguimos perceber, pelo filme, que é todo um povo desesperado que tem de enfrentar as mais variadas vicissitudes, nem sempre coroadas de sucesso.
Estou certo que todos nós já vimos o filme. Caso contrário, aconselho vivamente.
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