segunda-feira, 3 de setembro de 2007

"Êxtase"

O argumento resume-se no seguinte:
Uma jovem casa com um homem mais velho, que não a consegue satisfazer sexualmente. Ao tomar banho, completamente nua, num ribeiro, é observada por outro homem, com quem virá a ter a sua primeira relação sexual.
Ao tomar conhecimento do sucedido, o marido suicida-se.
Quando se pensaria que a rapariga estaria livre para ir viver com o amante, abandona-o no momento em que ele a esperava para partirem para longe.
E o filme termina assim.

Ao argumento junte-se o título do filme: “Êxtase”.
E date-se: 1933.




Não é difícil entender o impacto que este filme, realizado pelo checo Gustav Machaty, causou.
Cenas de nu feminino integral eram absolutamente inéditas nos circuitos comerciais. O filme foi proibido em muitos Estados americanos, mas a protagonista, uma jovem chamada Hedy Kiesler, foi de imediato contratada para Hollywood. Aí, mudou de apelido, e tornou-se uma actriz célebre. Hedy Lamarr.


Quando casou, o marido gastou uma fortuna a comprar as cópias do filme que existiam, para as destruir. Sem sucesso, porque tantos anos passados, o filme está disponível em dvd, em todo o mundo. Aliás, o mesmo faria Carlo Ponti em relação a um dos primeiros filmes de Sofia Loren. Com sucesso.

“Êxtase”.
Apesar de tudo, um clássico.

5 comentários:

teresamaremar disse...

Uma história a lembrar Regina Pacini.
Filha de um italiano e de uma espanhola, nasceu em Lisboa nos finais do séc. XIX, quando o pai era director cénico do Teatro S. Carlos.
Soprano conhecida em toda a Europa, por ela se apaixonou Marcelo Torcuato de Alvear, que viria a ser Presidente da República da Argentina, quando a ouviu cantar no Teatro Politeama.
Em todas as actuações desta, quer em Portugal quer Europa fora, Marcelo Alvear enchia-lhe o camarim de rosas brancas e vermelhas acompanhadas do constante pedido de casamento, que esta recusava, pois aceitá-lo significava abdicar da sua carreira.
Regina acaba cedendo e casam em Lisboa, vindo a tornar-se, posteriormente, primeira dama da Argentina.
Marcelo procurou e comprou, mundo fora, todas as gravações que conseguiu da voz da sua mulher. Intuito: destruí-las, para que ninguém mais a escutasse.
Regina não se terá arrependido, morreu em 1965 com 95 anos, muito depois dele, e cultivava ela mesma rosas brancas e vermelhas que depositava no seu túmulo.
Regina criou a ainda existente Casa do Teatro, de apoio aos artistas, e dá nome a um dos teatros de Buenos Aires.

José Quintela Soares disse...

Pois é, teresamaremar, querer apagar o passado nem sempre dá bom resultado.
Há inúmeros casos de artistas, agora célebres, que tentam, a todo o custo, "limpar" os seus inícios, quando a maneira mais fácil de "subir na vida" foi despirem-se para revistas e filmes de quinta ordem...

Obrigado pela história de Regina Pacini, que não conhecia.

Pedrita disse...

não li a sinopse porque quero ver. beijos, pedrita

Rui Luís Lima disse...

olá josé quintela soares!
este filme ficou célebre pelas cenasd de nudez e muitos anos depois por a sua intérprete ser uma das estrelas do cinema clássico americano.
infelizmente ainda não o vimos apesar de já ter passado na cinemateca.
recordams que a Marilyn Monroe nos tempos dificéis da sua juventude participou num filme em que o corpo era a razão da obra, na época o nome Norma Jean nada dizia.
fala-se que as cópias existentes correram os circuitos das "casas particulares", encontrando-se num estado já impossível de ser visível, num dos ivros editados recentemente "Marilyn - As Últimas Sessões" fala-se do assunto.
um abraço cinéfilo.

PS - só ontem visitámos os seus dois outros blogues (Ópera e Lisboa Antiga), gostámos bastante, vamos colocar os respectivos links, para eles... merecem ser descobertos.
paula e rui lima

teresamaremar disse...

O fundo musical ficou divino.
Um aperto saudoso, mas uma vontade de nos deixarmos ir, um apelo à alforria.

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