segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

John Ford


John Ford.
Nome simples de alguém com muito mau feitio, carrancudo, mas genial.
Quando falamos em “westerns”, lembramos de imediato John Wayne, aquele “monstro sagrado” que fez as delícias da nossa juventude, arrasando os “maus” e impondo a justiça. E logo a seguir lembramos o realizador de tantos desses filmes, John Ford, que tinha em Wayne o seu actor de eleição, ainda que Henry Fonda e John Carradine também estivessem sempre muito ligados ao Mestre.
Em tempo de Óscares, é bom lembrar que, ainda hoje, Ford detém o maior número de galardões alguma vez alcançado por um realizador. Nada menos de 4. E o que é mais curioso, é que nenhum deles premiou uma fita de “cowboys”. Incrível, não é?
Ganhou-os com “O Informador” (The Informer), “As Vinhas da Ira” (The Grapes of Wrath), “O Vale era Verde” (How Green Was My Valley), e “Depois do Vendaval” (The Long Voyage Home).
A pala negra que o caracterizava nos últimos anos da sua vida, e que lhe tapava o olho esquerdo, foi resultado do “bom feitio” de Ford, que aquando de uma operação às cataratas não seguiu os conselhos do médico e retirou o penso à revelia deste.
Como resultado cegou desse lado.
Numa outra ocasião, quando em conferência de Imprensa o então repórter Jean-Luc Godard, a trabalhar para os “Cahiers du Cinema”, lhe perguntou “Como veio para Hollywood”, limitou-se a secamente responder “De comboio!”, deixando perplexo o futuro grande realizador francês.
Enfim, um génio temperamental, com lugar reservado no estrelato universal do Cinema.

7 comentários:

chansonnette disse...

Adoramos "chamar nomes" às coisas que nos desagradam, que nos confrontam. É-nos mais fácil, mais cómodo.
E, deste modo, dizermos ter mau feitio alguém que se não submete, que sabe o que quer e para onde vai.

Não sei se o "mau feito" será sinal de genialidade (há tanta gentinha com mau feitio tão incapaz), mas que diz de carácter, personalidade e determinação, sem dúvida diz.

E depois, há a polaridade, um "mau feitio" tem em si, também, uma grande reserva de doçura para quem conseguir chegar além.

"Mais Quero Asno Que Me Carregue
Que Cavalo Que Me Derrube"
...? Nahhh

A um "mau feitio", aos seus "tiques", consigo até achar graça,
e obriga-me a ser mais criativa, logo, é deveras estimulante :)

Jose Augusto Soares disse...

Claro que "mau feitio" não é sinónimo de genialidade, mas que muitas vezes se acompanham, é verdade, e há muitos exemplos.
Prefiro o "mau feitio" à inércia amorfa que a tudo se acomoda, apenas por ser mais fácil.
E concordo que obriga os outros a procurar novos caminhos para chegar "lá".
Obrigado pelo seu "estimulante" comentário.

Anónimo disse...

visitem o blog www.retroprojeccao.blogspot.com é um blog de cinema excelente, com grande variedade criticas

elisabete cunha disse...

José , seu blog é muito interessante!! aparecerei sempre!
abraços baianos!

pedrita disse...

de western eu lembro sempre do john ford. levei um tempo para pensar em john wayne em westerns. beijos, pedrita

Anónimo disse...

"Grapes of Wrath" was certainly one of John Fords' best movies as a Director. (Thanks, also, to a stellar performance by Henry Fonda.)
Good "homework" on a very intertaining blog.

AM

Mateus disse...

O título em português de "How Green Was My Valley" não é "O Vale Era Verde", mas sim: "Como Era Verde Meu Vale". E "The Informer" foi batizado de "O Delator".

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