segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Domingos, 19 horas

Hoje vou falar de televisão.
Melhor, dos domingos às 19 horas na RTP Memória, espaço que se vai consagrando como o melhor de toda a programação, creio eu.
Tivemos as “Histórias da Música”, que António Victorino de Almeida nos contou na Viena dos anos 70, e que seria interessante, tantos anos volvidos, serem escutadas por muitos dos responsáveis (?) pela Cultura deste país, tal a frieza da análise, a lógica do raciocínio e a facilidade de comunicação na crítica velada, justificada na altura por uma suposta mais branda censura que Marcelo Caetano permitiu. Pelo programa passaram os grandes compositores, as suas vidas e obras, os instrumentos, o ensino da música, a realidade de um país que nada tinha a ver com o Portugal “pequenino”.
Depois, Nemésio e o “Se Bem me Lembro”, igualmente dos anos 70, em que o Mestre disserta sobre variados assuntos, com a autoridade catedrática que lhe advinha de forma espontânea, que nem mesmo o sotaque terceirense conseguia quebrar o interesse. Cada palestra era uma lição, intemporal, magistral.
E agora João Villaret, série de programas realizados em 1959, em que o grande actor, o melhor português até hoje a recitar poesia (novamente a minha opinião), nos deleita com uma variedade de poemas e poetas, em interpretações cuidadas como se em palco estivesse.
Domingos, 19 horas, na RTP Memória.
Gravador e dvd prontos.


quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

"Os Irmãos Karamazov"

Revi ontem “Os Irmãos Karamazov”.
E mais do que a presença imponente de Yul Brynner, ou o azul dos olhos de Maria Schell, impressionou-me a extraordinária interpretação de um actor muito esquecido, Lee J. Cobb (1911 – 1976).
Aliás, este seu desempenho valer-lhe-ia uma nomeação para Actor Secundário em 1958, que perderia para Burl Ives, em “Da Terra Nascem os Homens”.
Não há palavras para descrever o que este actor consegue mostrar de um Pai devasso e alcoólico, avarento e perverso. É ele que domina o filme, o que não é fácil, tratando-se de um texto de Dostoyevsky.
Realizado por Richard Brooks (1912 - 1992), que nos deixou filmes como “Key Largo”, “The Last Time I Saw Paris”, “Lord Jim” e “Elmer Gantry”, “Os Irmãos Karamazov” é um clássico, que merece revisão periódica.



segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

"Get Smart"

Há muitos anos nos écrans da televisão, uma série cómica norte-americana, que parodiava o mundo dos agentes secretos.
Chamava-se “ Get Smart”, e estou certo que muitos a recordarão.
Maxwell Smart era acompanhado pela agente “99” (Barbara Feldon, nasceu em 1932) e interpretado magistralmente por um desconhecido actor até então, Don Adams (1923 – 2005).
Bem poucos me fizeram rir tanto, e sempre considerei “Get Smart” uma série de “culto”.
Foi criada por Mel Brooks e Buck Henry, e feita entre 1965 e 1970, com mais de cem episódios; ganhou 7 “Emmy Awards”.
As trapalhadas do Agente Smart, o célebre “telemóvel” escondido no tacão do sapato, a comicidade do actor e do enredo, maravilharam a minha geração, que ainda hoje a recorda.


quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Kim Novak

Bem poucos se recordarão dela. No entanto, fez furor na sua época, anos 50 e 60, trabalhando com realizadores de nomeada, sempre encarada como uma “sex-symbol”, mas sendo bem mais do que isso.
A cor do cabelo não significava falta de talento, como muitas vezes acontece em actrizes “curvilíneas” que não passam disso mesmo.
Kim Novak (nasceu em 1933) ficou sobretudo famosa pelo seu desempenho em “Vertigo” de Hitchcock. Mas será injusto esquecer, entre outros, “Pal Joey”, “The Man with the Golden Arm”, “Kiss me, Stupid” e “Of Human Bondage”.
Soube retirar-se de cena quando entendeu que a sua imagem era outra, o que se entende. Pode é não aceitar-se.
O seu último filme foi rodado em 1991.
Restam os dvd, para matar saudades.


segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Mia Farrow



Aparentemente frágil, muito magra, mas com um olhar que enche por completo os écrans, Mia Farrow (nasceu em 1945) foi, durante muitos anos, a “diva” de Woody Allen, como já acontecera com Diane Keaton, e agora com Scarlett Johansson.
“Filha de peixe…”, Mia herdou de sua mãe, a também actriz Maureen O’Sullivan, a naturalidade com que enfrenta as câmaras, mas fá-lo com muito mais talento. O pai foi o realizador australiano John Farrow.
De seu nome verdadeiro Maria de Lourdes Villiers-Farrow (sabiam?), foi o seu primeiro filme que a lançou para a fama. “Rosemary’s Baby”, que em português foi comercializado como “A Semente do Diabo”, em 1968. Depois veio a fase “Allen”, e aí destacaria “The Purple Rose of Cairo”, “Hannah and her Sisters”, “Radio Days”, mas a lista poderia ser bem mais longa.
Uma actriz para a história do Cinema.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Trevor Howard


Foi um actor de primeiro plano, mas nunca foi uma "estrela".
Talvez porque a sua paixão por Shakespeare o tenha levado a permanecer nos teatros londrinos, e a recusar um contrato fabuloso que Hollywood lhe propôs.
Sóbrio, compôs as suas personagens com rigor e profissionalismo, e deixou-nos interpretações seguras, algumas mesmo brilhantes.
Trevor Howard (1913 – 1988) combateu na II Guerra Mundial, onde foi seriamente ferido. Quando recupera, começa verdadeiramente a sua carreira, na qual destaco filmes como “The Ryan’s Daughter”, “Triple Cross”, “Von Ryan’s Express” e “Ghandi”, marcados definitivamente pelo seu talento.
Foi um dos protagonistas de “Os Amantes do Tejo”, ao lado de Daniel Gélin e Amália, filme inteiramente rodado em Lisboa, e de que já falei neste blogue.

“They deserve what they get when they give a ham actor, a petulant child, complete control of an expensive picture.”, disse um dia. E como tinha razão…

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Dirk Bogarde


O pai era o editor de cultura do “The Times” e a mãe era actriz.
Capitão do exército inglês na segunda Guerra Mundial, foi um dos oficiais que desmantelou a rede de campos de concentração de Hitler, experiência que o traumatizou de tal maneira, que durante muitos anos, não quis pronunciar-se sobre o que vira.
Dirk Bogarde (1921 – 1999) participou em cerca de 70 filmes, sempre brilhante, em personagens nem sempre fáceis, mesmo para os grandes actores.
Destaque, entre outros, para “The Servant”, “Death in Venice”, e “The Night Porter”.
Interpretações inesquecíveis.
Não foi um actor popular, mas talvez nunca se tenha preocupado muito com isso.
Nem sempre a popularidade é sinónimo de qualidade.
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