segunda-feira, 8 de outubro de 2007

"Cinecittà"

Mussolini não gostava de cinema.
Para ele, havia duas espécies de filmes: “aqueles que o público pergunta como vão acabar e aqueles em que pergunta quando vão acabar”.
Ou seja…ditador e “inteligente”…

Apesar disso, é ele quem coloca a primeira pedra dos futuros estúdios da “Cinecittà”, local mítico de onde sairão autênticas relíquias do Cinema, e será ele a inaugurá-los em 1937.
Quando a guerra acaba, os estúdios assumem a sua importância.
Sabiam, por exemplo, que o célebre “Quo Vadis?” foi lá rodado?
Mas são os grandes realizadores italianos que vão marcar a Cinnecità. De Sica, Rossellini e sobretudo Fellini. Os grandes filmes destes Mestres foram feitos lá, a apenas 9 quilómetros de Roma.
Fellini considerava mesmo que aquela era a sua segunda casa.

Depois, com o desaparecimento destas grandes figuras, a Cinecittà perdeu igualmente muito do seu esplendor.
Há semanas, um fogo transformou em cinzas uma boa parte dos estúdios.

Esperamos que a Itália democrática tenha o bom-senso de imitar, nesse aspecto, o ditador, e reconstrua o “templo”.
Exige-o a memória do Cinema.
E a nossa.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Burt Lancaster


“Tipo ideal para papéis de gangster ou de pirata que não pedissem muitos miolos e ainda menos corações. O segundo balcão do Éden logo lhe aportuguesou o nome: Bruto Lencastre. Bruto era merecido, Lencastre muita ignorância. Bruto Macário ou Bruto Arlindo convinham mais ao homem, não desfazendo.”

Assim se refere João Bénard da Costa a Burt Lancaster (1913 – 1994)
Não resisti a começar assim estas linhas sobre o actor.

Porque na verdade, devido ao seu aspecto físico, e aos papéis com que iniciou a sua carreira no Cinema, ninguém imaginaria que este antigo trapezista, criado nas ruas da Nova York mais miserável, seja hoje consensualmente visto como um dos grandes actores dos Estados Unidos.
Ele é “O Leopardo”, para todos os apaixonados da Sétima Arte.
Mas convém não esquecer, entre muitos outros, “From Here to Eternity”, “The Birdman from Alcatraz”, “Elmer Gantry” ou “Judgment at Nuremberg”.
Quatro vezes nomeado para Melhor Actor, venceu o Oscar em 1961 com “Elmer Gantry”, e contracenou com todas as grandes actrizes do seu tempo, como Jean Simmons, Claudia Cardinale, Gina Lollobrigida, Deborah Kerr e Barbara Stanwick, lembrando apenas algumas.

O “Bruto Lencastre” dos tempos iniciais deu lugar a um excelente actor, que perdurará na memória de todos.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

"Feios, Porcos e Maus"

Começamos por sorrir, depois rir até quase às lágrimas, voltamos à fase inicial e a certa altura estamos muito sérios a olhar para o écran, cada vez mais sérios até ao fim.
“Feios, Porcos e Maus”, de Ettore Scola.
Tudo se passa numa barraca de um “bairro de lata” perto de Roma, onde Giacinto vive com a mulher, dez filhos, a sogra, primos e primas. Todos numa só barraca, porque o chefe de família tem receio que alguém lhe roube a indemnização que recebeu por um acidente de trabalho. Dorme agarrado a uma espingarda, pronto a disparar sobre quem se aproxime, seja quem for.
Tudo aquilo é nojento, desde as refeições ao aspecto da família, degradante, promíscuo, miserável.
No meio de personagens absolutamente indescritíveis, Nino Manfredi é a “alma” do filme, com uma interpretação inesquecível. Poderia não ter feito mais nenhum filme, porque bastaria este para o colocar na galeria dos grandes actores italianos.

“Feios, Porcos e Maus”.
O título diz tudo, e bem.

sábado, 29 de setembro de 2007

Gary Cooper

Para o público de hoje, o seu nome pouco dirá.
Mas Gary Cooper (1901-1961) foi uma das grandes estrelas de Hollywood, com uma carreira que durou cerca de 40 anos, vencedor por duas vezes do Oscar de melhor actor e cinco nomeações, 100 filmes rodados.
Todos o conheciam por “Coop”, e o seu primeiro grande sucesso é “The Virginian” em 1929. Outros filmes memoráveis são o seu “A Farewell to Arms” em 1932, e “Mr.Deeds Goes to Town” em 36.
Poucos sabem que Gary Cooper foi o actor escolhido para interpretar Rhett Butler em “E Tudo o Vento Levou”. Depois de estudar o guião, Cooper rejeitou o convite, dizendo: “Vai ser o maior desastre comercial a que Hollywood já assistiu”.
Enganou-se.
E esperaria até 1952, ano de “High Noon”, para ver consagrada a sua carreira. Neste filme, incrivelmente traduzido para português como “O Comboio Apitou Três Vezes”, Gary Cooper tem o papel da sua vida.

Um grande actor.


terça-feira, 25 de setembro de 2007

Spielberg

“Jaws”
“Close Encounters of the Third Kind”
“Indiana Jones”
“E.T.”
“The Colour Purple”
“Hook”
“Schindler’s List”
“Jurassic Park”
“A.I. Artificial Intelligence”
“The Terminal”
“Munich”

Simplesmente…Spielberg.

A lista seria bem mais extensa, se necessário fosse.
Os génios são incapazes de fazer algo errado, ou mal. Ou fraco.
E é preferível nem escrever muito sobre eles.
Agradecer-lhes apenas.

sábado, 22 de setembro de 2007

"Cavalgada Heróica"

Numa daquelas noites em que apetece ver um “western”, escolhi “Cavalgada Heróica” (Stagecoach) de John Ford, com o inevitável John Wayne. Rodado em 1939.
Considerado um “clássico” no género, é na verdade um excelente filme, dirigido por mão de Mestre e com interpretações fabulosas.
Gostaria de destacar Thomas Mitchell, que todos conhecemos de “E Tudo o Vento Levou”, onde interpreta o papel de pai de Scarlett O’Hara.
Aqui é um médico permanentemente alcoolizado, mas fá-lo com uma categoria digna do realizador e de alguns dos seus pares. Impressionante o seu esgar, as alterações do seu comportamento, a sua presença. A Academia premiou-o com o Oscar para Actor Secundário, e muito bem.
Ainda o grande John Carradine, num papel de jogador profissional, mas acima de tudo, um cavalheiro de nobre tradição familiar, filho de um juiz, com a reputação abalada pelo vício.
E John Wayne, no arranque da sua brilhante carreira, a protagonizar o “herói”, o ex-presidiário que dá lições de civismo e educação a banqueiros, médicos e comerciantes, ao tratar uma prostituta (Claire Trevor), que todos rejeitam, com respeito.
Como não podia deixar de ser, tudo acaba em bem.

Um grande filme!


quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Mastroianni



Marcello Mastroianni (1924-1996) começou por ser um caso de sucesso em Itália, e depois por toda a Europa. E para isso muito contribuiu “La Dolce Vita”, que Fellini roda em 1960.
As palavras seguintes são do próprio realizador:
“ “La Dolce Vita” foi a primeira película em que trabalhei com Mastroianni. Recordo-me de lhe dizer: Chamei-te porque precisava de um sujeito normal, sem personalidade, sem expressão, banal, como tu. Não lhe disse isto com má intenção. Não quis ofendê-lo…ele representa também o tipo de homem ideal. É o homem que todas as mulheres desejariam”.
O que Fellini não disse, é que Mastroianni provinha da “escola do teatro”, onde durante anos trabalhara com Visconti. E que no cinema, onde se estreou em 1947, contracenou, entre outros, com Silvana Mangano, Lollobrigida, Vittorio Gassman e Giulietta Masina. Isto é, Mastroianni teve, desde o início, excelentes parceiros, com quem muito foi aprendendo, desde os grandes realizadores italianos, a todos os grandes actores e actrizes seus contemporâneos.
Ele próprio, um dos maiores de sempre.
Participou em 143 filmes, número impressionante, mesmo numa longa carreira.
Destacar este ou aquele, parece-me desnecessário. Seriam dezenas a merecê-lo.
Morreu em Paris, e quando o corpo foi trasladado para Roma, onde esteve em câmara-ardente no Capitólio, houve uma senhora que o velou toda a noite, e quase sempre sem se sentar. Seu nome, Sophia Loren.
E Dino Risi, um dos realizadores que o dirigiu, afirmou:
“Apagou-se o coração do cinema italiano. A sua alma mais bela”.

Marcello Mastroianni.
Uma lenda.

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