quinta-feira, 6 de setembro de 2007

"Os Amantes do Tejo"

“Os Amantes do Tejo” é um filme dos anos 50, cujos exteriores foram rodados em Lisboa. Um dos canais portugueses passou-o há muitos anos, e ontem revi a gravação feita na altura.


Amália Rodrigues canta o célebre “Barco Negro”, mas esse é apenas um dos factores que torna este filme muito especial para os lisboetas, e não só.
Podemos apreciar, com algum pormenor, a Lisboa desse tempo, sem ponte, sem Cristo-Rei na outra Banda, mas com sinaleiros, pregões populares, varinas, empregados de mesa fardados, ardinas, engraxadores e Salazar, cujos serviços de Censura cortaram quase 20% do filme, depois de terem proibido a exibição em Portugal.
Há ainda uma espectacular guitarrada pelo Mestre Jaime Santos, o Rossio com eléctricos, a Bica típica, o porto de Lisboa com movimento intenso de navios, os velhos táxis, as arcadas da Praça do Comércio, o Terreiro do Paço com o Cais das Colunas limpo de quaisquer tapumes…
O filme foi protagonizado por dois excelentes actores, o francês Daniel Gélin (1921-2002) e o inglês Trevor Howard (1913-1988), que acompanham Françoise Arnoul (n. 1931). A realização é de Henri Verneuil.


A história é fraquinha, quase inverosímil, mas o interesse do filme, para nós, hoje em dia, não reside aí.
Bem poucos filmes portugueses da época mostraram a cidade como este filme francês.


segunda-feira, 3 de setembro de 2007

"Êxtase"

O argumento resume-se no seguinte:
Uma jovem casa com um homem mais velho, que não a consegue satisfazer sexualmente. Ao tomar banho, completamente nua, num ribeiro, é observada por outro homem, com quem virá a ter a sua primeira relação sexual.
Ao tomar conhecimento do sucedido, o marido suicida-se.
Quando se pensaria que a rapariga estaria livre para ir viver com o amante, abandona-o no momento em que ele a esperava para partirem para longe.
E o filme termina assim.

Ao argumento junte-se o título do filme: “Êxtase”.
E date-se: 1933.




Não é difícil entender o impacto que este filme, realizado pelo checo Gustav Machaty, causou.
Cenas de nu feminino integral eram absolutamente inéditas nos circuitos comerciais. O filme foi proibido em muitos Estados americanos, mas a protagonista, uma jovem chamada Hedy Kiesler, foi de imediato contratada para Hollywood. Aí, mudou de apelido, e tornou-se uma actriz célebre. Hedy Lamarr.


Quando casou, o marido gastou uma fortuna a comprar as cópias do filme que existiam, para as destruir. Sem sucesso, porque tantos anos passados, o filme está disponível em dvd, em todo o mundo. Aliás, o mesmo faria Carlo Ponti em relação a um dos primeiros filmes de Sofia Loren. Com sucesso.

“Êxtase”.
Apesar de tudo, um clássico.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

“Vaghe stelle dell’Orsa”

Revi “Vaghe stelle dell’Orsa”, de Visconti.

É um filme com 42 anos, a preto e branco, que tem Claudia Cardinale como protagonista.
Tudo o que distingue este realizador está lá.
Mistério, segredos, o passado revivido e a decidir o futuro, os confrontos de gerações. Filmado com mestria, uma excelente fotografia, a velha Itália a deslumbrar com o cuidado posto em tudo o que é histórico.




Claudia Cardinale é a “estrela”, mas Visconti, que de vez em quando se deixa “tentar” em mostrar o corpo da actriz, procura nela não a vedeta “sexy”, mas a “actriz”, que interpreta um papel complexo de uma mulher que tem de esconder o seu passado incestuoso com o irmão. E Claudia consegue corresponder ao desejo do Mestre, que a filma em grandes planos que evidenciam não só a sua beleza, mas também uma “força” que só me lembro de ver em “O Leopardo”, também de Visconti, e em poucos mais filmes.
Jean Sorel, que já esquecêramos, é o irmão, e está à altura da importância da personagem na trama.
O filme apareceu nos circuitos comerciais europeus com o título “Sandra”, nome da protagonista. Que nada tem a ver, como sucede frequentemente, com o título original.
Pouco mais de uma hora e meia bem passada.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Marlene Dietrich


É uma das figuras mais enigmáticas da história do Cinema.
Marie Magdalene Dietrich nasceu na Alemanha em 1901, e só perto dos 30 anos chega aos Estados Unidos como “resposta” da Paramount ao tremendo sucesso de Greta Garbo. Torna-se a “musa” do grande realizador Josef von Sternberg, com quem roda “O Anjo Azul”, que a tornaria mundialmente célebre.
E se os papéis que protagonizava nas telas encantavam as plateias, a sua vida pessoal alimentava os jornais e a rádio, dando-lhe uma projecção invulgar para a época.
Sofisticação, magnetismo, sensualidade. Uma combinação explosiva na actriz, conjugada com atributos femininos e masculinos.
“Não interessa se és homem ou mulher. Faço amor com qualquer pessoa que ache atraente”, disse um dia, alimentando as especulações.
Para além do “The Blue Angel” já referido, saliento entre os seus filmes mais conhecidos, “Morocco”, “Shangai Express”, “Destry Rides Again” e “Witness for the Prosecution”.
Inimiga feroz de Hitler, recusou várias propostas alemãs para voltar ao seu país e aí filmar.
Marlene Dietrich morreu em Paris, em 1992.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

João Villaret

João Villaret.
A maior parte dos que dele se recordam, elegem-no como o maior declamador português. Na minha opinião encabeça um trio constituído por ele, Mário Viegas e Manuel Lereno.
Mas os filmes que interpretou são testemunho de que o seu talento não se confinava à poesia, que disse, repito, como ninguém.
Nasceu em 1913, em Lisboa, e dedicou toda a sua vida ao espectáculo. Integrou desde novo a célebre Companhia Amélia Rey Colaço – Robles Monteiro e depois nos “Comediantes de Lisboa”.
No cinema participou em apenas seis filmes, entre os quais “Frei Luís de Sousa”, “Inês de Castro”, “Camões”, e “O Primo Basílio”. No “Pai Tirano” faz um pequeno papel como mudo, de antologia.
A maior popularidade chega com a televisão, nos anos 50. Aí deu a conhecer ao grande público muitos escritores portugueses, entre os quais Pessoa, de quem tinha sido amigo pessoal, Régio, Botto.
Faleceu em 1961.
Villaret.
Um enorme talento.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Louise Fletcher


Bastou um filme.
“Voando sobre um Ninho de Cucos”.
O papel que Louise Fletcher nele desempenha, é monumental. A Enfermeira Ratched, é fria, dura, implacável. O espectador odeia-a desde o primeiro minuto. Até ao último. Valeu-lhe, justamente, o Oscar para Melhor Actriz.
Norte-americana, nascida em 1934, Louise era filha de pais surdos-mudos, mas ela e os irmãos não tinham a deficiência, e foi uma tia que a ensinou a falar.
Começou pela televisão, mas quando Milos Forman a viu no filme “Thieves Like Us”, convidou-a de imediato para o seu maior sucesso.
Participou em dezenas de filmes, mas bem longe do sucesso da enfermeira Ratched.
Simplesmente brilhante.
Resta acrescentar que este é, para mim, o melhor filme de sempre.

sábado, 18 de agosto de 2007

Anne Bancroft


Fez inúmeros filmes, interpretou dezenas de papéis, mas Anne Bancroft será sempre…Mrs. Robinson.
Dela nos lembramos quando escutamos os fabulosos Simon & Garfunkel a cantar essa mesma canção. E de imediato surge um Dustin Hoffman quase imberbe, a lançar-se para a ribalta.
Nesse filme, “The Graduate”, a carga de sensualidade e até erotismo que Bancroft consegue fazer chegar às plateias é tremenda. E inesquecível.
Anna Maria Louisa Italiano, de seu verdadeiro nome, nasceu no Bronx em 1931, neta de avós italianos, como o nome indica claramente. Anne Marno foi o seu primeiro nome artístico, nomeadamente em séries televisivas, mas ainda nos anos 50 altera para “Bancroft”, por lhe parecer mais elegante.
Nomeada 5 vezes pela Academia, apenas venceu em 1963 com “The Miracle Worker”.Mas quem não a recorda também em “7 Women”, “Silent Movie” e “The Hindenburg”?
Foi casada mais de quatro décadas com Mel Brooks, personalidade aparentemente nos antípodas da actriz. Quando esta morreu em 2005, Mel Brooks avisou os amigos que quem quisesse chorar nas cerimónias fúnebres, era melhor ficar em casa.
E assim foi.
Anne Bancroft teria aprovado.
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