
Lembram-se dos cinemas de “reprise”?
Havia muitos em Lisboa, entre os quais o “Paris”, o “Jardim Cinema”, o “Chiado Terrasse”. Dois filmes por sessão, com intervalo no final do primeiro. Nesse intervalo, um rapazinho novo passeava pela sala com um tabuleiro pendurado ao pescoço, cheio de rebuçados e chocolates. Havia arrumadores, que nos conduziam ao lugar, a troco de uma gorjeta de dez tostões. O bilhete custava cinco escudos.
Lisboa era então dominada pelas grandes salas de cinema, o Monumental, o São Jorge, o Tivoli, o Éden, o Império, o Condes, o São Luiz, salas ditas de “estreia”, onde o bilhete custava doze escudos e cinquenta centavos, só com um filme.
Era assim quando eu era pequeno.
Na Passagem do Ano e no Carnaval, as principais salas organizavam bailes com um conjunto, e enchiam. E aos sábados, a “matinée” infantil, onde reinava o Bugs Bunny, era êxito, pela certa.
Tudo passou.
Vejam na fotografia como o “Paris”, ali na Domingos Sequeira, se encontra, há anos.
Agora temos pequenos estúdios…pipocas, Coca-Cola e…saudades.