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sábado, 22 de setembro de 2007

"Cavalgada Heróica"

Numa daquelas noites em que apetece ver um “western”, escolhi “Cavalgada Heróica” (Stagecoach) de John Ford, com o inevitável John Wayne. Rodado em 1939.
Considerado um “clássico” no género, é na verdade um excelente filme, dirigido por mão de Mestre e com interpretações fabulosas.
Gostaria de destacar Thomas Mitchell, que todos conhecemos de “E Tudo o Vento Levou”, onde interpreta o papel de pai de Scarlett O’Hara.
Aqui é um médico permanentemente alcoolizado, mas fá-lo com uma categoria digna do realizador e de alguns dos seus pares. Impressionante o seu esgar, as alterações do seu comportamento, a sua presença. A Academia premiou-o com o Oscar para Actor Secundário, e muito bem.
Ainda o grande John Carradine, num papel de jogador profissional, mas acima de tudo, um cavalheiro de nobre tradição familiar, filho de um juiz, com a reputação abalada pelo vício.
E John Wayne, no arranque da sua brilhante carreira, a protagonizar o “herói”, o ex-presidiário que dá lições de civismo e educação a banqueiros, médicos e comerciantes, ao tratar uma prostituta (Claire Trevor), que todos rejeitam, com respeito.
Como não podia deixar de ser, tudo acaba em bem.

Um grande filme!


quinta-feira, 6 de setembro de 2007

"Os Amantes do Tejo"

“Os Amantes do Tejo” é um filme dos anos 50, cujos exteriores foram rodados em Lisboa. Um dos canais portugueses passou-o há muitos anos, e ontem revi a gravação feita na altura.


Amália Rodrigues canta o célebre “Barco Negro”, mas esse é apenas um dos factores que torna este filme muito especial para os lisboetas, e não só.
Podemos apreciar, com algum pormenor, a Lisboa desse tempo, sem ponte, sem Cristo-Rei na outra Banda, mas com sinaleiros, pregões populares, varinas, empregados de mesa fardados, ardinas, engraxadores e Salazar, cujos serviços de Censura cortaram quase 20% do filme, depois de terem proibido a exibição em Portugal.
Há ainda uma espectacular guitarrada pelo Mestre Jaime Santos, o Rossio com eléctricos, a Bica típica, o porto de Lisboa com movimento intenso de navios, os velhos táxis, as arcadas da Praça do Comércio, o Terreiro do Paço com o Cais das Colunas limpo de quaisquer tapumes…
O filme foi protagonizado por dois excelentes actores, o francês Daniel Gélin (1921-2002) e o inglês Trevor Howard (1913-1988), que acompanham Françoise Arnoul (n. 1931). A realização é de Henri Verneuil.


A história é fraquinha, quase inverosímil, mas o interesse do filme, para nós, hoje em dia, não reside aí.
Bem poucos filmes portugueses da época mostraram a cidade como este filme francês.


segunda-feira, 3 de setembro de 2007

"Êxtase"

O argumento resume-se no seguinte:
Uma jovem casa com um homem mais velho, que não a consegue satisfazer sexualmente. Ao tomar banho, completamente nua, num ribeiro, é observada por outro homem, com quem virá a ter a sua primeira relação sexual.
Ao tomar conhecimento do sucedido, o marido suicida-se.
Quando se pensaria que a rapariga estaria livre para ir viver com o amante, abandona-o no momento em que ele a esperava para partirem para longe.
E o filme termina assim.

Ao argumento junte-se o título do filme: “Êxtase”.
E date-se: 1933.




Não é difícil entender o impacto que este filme, realizado pelo checo Gustav Machaty, causou.
Cenas de nu feminino integral eram absolutamente inéditas nos circuitos comerciais. O filme foi proibido em muitos Estados americanos, mas a protagonista, uma jovem chamada Hedy Kiesler, foi de imediato contratada para Hollywood. Aí, mudou de apelido, e tornou-se uma actriz célebre. Hedy Lamarr.


Quando casou, o marido gastou uma fortuna a comprar as cópias do filme que existiam, para as destruir. Sem sucesso, porque tantos anos passados, o filme está disponível em dvd, em todo o mundo. Aliás, o mesmo faria Carlo Ponti em relação a um dos primeiros filmes de Sofia Loren. Com sucesso.

“Êxtase”.
Apesar de tudo, um clássico.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

“Vaghe stelle dell’Orsa”

Revi “Vaghe stelle dell’Orsa”, de Visconti.

É um filme com 42 anos, a preto e branco, que tem Claudia Cardinale como protagonista.
Tudo o que distingue este realizador está lá.
Mistério, segredos, o passado revivido e a decidir o futuro, os confrontos de gerações. Filmado com mestria, uma excelente fotografia, a velha Itália a deslumbrar com o cuidado posto em tudo o que é histórico.




Claudia Cardinale é a “estrela”, mas Visconti, que de vez em quando se deixa “tentar” em mostrar o corpo da actriz, procura nela não a vedeta “sexy”, mas a “actriz”, que interpreta um papel complexo de uma mulher que tem de esconder o seu passado incestuoso com o irmão. E Claudia consegue corresponder ao desejo do Mestre, que a filma em grandes planos que evidenciam não só a sua beleza, mas também uma “força” que só me lembro de ver em “O Leopardo”, também de Visconti, e em poucos mais filmes.
Jean Sorel, que já esquecêramos, é o irmão, e está à altura da importância da personagem na trama.
O filme apareceu nos circuitos comerciais europeus com o título “Sandra”, nome da protagonista. Que nada tem a ver, como sucede frequentemente, com o título original.
Pouco mais de uma hora e meia bem passada.

quinta-feira, 3 de maio de 2007

"O Homem da Câmara de Filmar"


Quase ignorada por muitos, a Cinemateca Nacional prossegue, indiferente ao alheamento do público, com sessões diárias de filmes antigos, programando ciclos específicos.
Há pouco tempo, tive oportunidade de ver “O Homem da Câmara de Filmar”, de Vertov, que o realizou em 1929.
É um documentário excepcional, que retrata um dia na vida de uma cidade soviética, com movimentos de câmara absolutamente geniais e inéditos à época.
Setenta minutos que “voaram”!
Talvez a Cinemateca venha a repetir a exibição. Não percam!

sábado, 21 de abril de 2007

O Pátio das Cantigas


Do período áureo da comédia portuguesa, que se transformaria em cinema de sucesso popular, “O Pátio das Cantigas” é, na minha opinião, “la crème de la crème”.
Os seus intérpretes eram todos vedetas do teatro de Revista, que diariamente levava centenas e centenas de pessoas, em 2 sessões, aos vários teatros existentes no saudosíssimo Parque Mayer.
António Silva, Vasco Santana, Laura Alves, Ribeirinho e Barroso Lopes, formavam um grupo de luxo, a que se juntou o então grande galã do cinema português, António Vilar.
“Ó Evaristo, tens cá disto?”, “Ouçam ópera….que é música própria para…operários!”, "Oh seu camelo!", “Arranjo-lhe um lugar no desemprego e dessincronizo-lhe a tromba!”, a explicação do funcionamento do aparelho de rádio…enfim, tantas e tantas cenas e ditos inolvidáveis, que passadas décadas, ainda são lembradas por todos (e fomos todos) os que vêem repetidamente este filme.
Uma curiosidade: a “D.Rosa” era interpretada por Maria das Neves, actriz de primeiro plano igualmente na Revista, e foi ela quem pela primeira vez cantou, exactamente no Parque Mayer, a canção “O Cochicho”, que dispensa qualquer apresentação.
Único filme realizado por Ribeirinho (irmão de António Lopes Ribeiro…lembram-se do “Museu do Cinema”?), teve a sua estreia em Lisboa em 1942.

quinta-feira, 22 de março de 2007

E Tudo o Vento Levou


1939…
Quando se vê este filme, quase nunca nos lembramos que ele tem…68 anos de idade.
E fazer um filme com tudo aquilo que ele demonstra, há perto de 70 anos, é qualquer coisa de fantástico.
“E Tudo o Vento Levou” pode ser acusado de muita coisa, desde “piroso” a “dramazinho para verter lágrimas”, mas é, na verdade, uma obra-prima.
Desde as fabulosas interpretações, não só de Vivien Leigh e Clark Gable, pois é bom não esquecer, entre outros, Leslie Howard e Olívia de Havilland, e a “empregadita” que ganhou o Oscar de melhor actriz secundária (Hattie McDaniel), passando pela fotografia, a montagem, a produção, a realização, enfim, todo o filme é excepcional.
Até hoje, continua imbatível em êxito de bilheteira, o que atesta, para além da popularidade, a sua qualidade.
Os O’Hara, Scarlett, Reth, Tara…
Premiado com 10 Oscares, manteve esse record durante décadas.
220 minutos de deslumbramento.
E a frase final que ninguém esquece: “Amanhã…é sempre um novo dia!”

sábado, 10 de março de 2007

"84 Charing Cross Road"


Uma escritora norte-americana (Anne Bancroft) escreve para uma pequena livraria de Londres, encomendando uns livros.
O dono da livraria (Anthony Hopkins) junta à encomenda uma carta.
E assim começa uma troca de correspondência, de cumplicidade, de segredos, de gostos comuns, que durará décadas.
O ambiente da livraria, pequena, antiga, repleta de preciosidades, as confidências trocadas, a alegria de ambos quando recebem notícias do outro lado do Atlântico, as interpretações fabulosas, as citações de obras importantes.
Filme que passou despercebido nos anos 80, mas que considero magistral.
Diz-me muito.
Revejo-o sempre que posso. Nunca me cansei.
“84 Charing Cross Road”, “A Rua do Adeus” na tradução portuguesa.
Eterno!

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

Ben-Hur



Vi este filme, pela primeira vez, quando tinha 12 anos. Nos anos 60.
E fiquei, lembro-me bem, extasiado.
A imponência, os milhares de figurantes, as interpretações, a história de Judah Ben-Hur, as peripécias por que passa, deixam marcas inolvidáveis num miúdo, mesmo habituado a ver muito cinema.
Charlton Heston, que até nem considero um actor de excepção, tem aqui o papel da sua vida. Mas o destaque do filme desliza para a encenação, a produção, a realização (William Wyler). Aí consegue alcandorar-se à História do Cinema.
A Academia de Hollywood, tantas vezes injusta e até sectária, premiou o filme com o recorde de Oscares, nada mais nada menos que 11.
A cena que ilustra este post, a célebre corrida de quadrigas, ficará para sempre marcada na memória de quem viu o filme, e aposto que todos viram, pelo menos, uma vez. E será bom não esquecer que estávamos em 1959, ou seja, sem os meios técnicos hoje em dia disponíveis.
212 minutos de puro prazer, que renderam, nos cofres das bilheteiras de então, 74 milhões de dólares!
O “American Film Institute” coloca “Ben-Hur” na lista dos melhores 100 filmes de sempre.
E eu concordo.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

O nosso fado


Carlos Saura, realizador espanhol que levou até às telas o tango e o flamenco, prepara-se agora para transportar o português fado aos mesmos níveis de divulgação.
Evidentemente que as expressões musicais são universais, embora tenham a sua origem específica, a qual não convém escamotear.
Se a dança típica espanhola está no sangue de Saura, é naturalíssimo, e compreende-se mesmo que o tango argentino lhe pulse nas veias.
Fado é uma surpresa.
A proposta foi-lhe feita por um produtor português, Ivan Dias (?) e o realizador aceitou.
Percebe-se a intenção primária do produtor, querendo aproveitar a experiência ganha com outros filmes sobre música tradicional, mas já não se aceita tão bem que não se tenha pensado num realizador português para rodar o filme. Porque ninguém imagina um produtor espanhol a convidar um português para realizar uma obra sobre dança com castanholas…
E Saura não terá começado muito bem…ao convidar Caetano Veloso para participar no filme, cantando “Estranha Forma de Vida”. Por muito grande que seja Caetano, um brasileiro a cantar Amália…deixa dúvidas, para mais num projecto que pretende retratar a canção portuguesa.
Sabe-se que Mariza entrará no rol de fadistas, e provavelmente Carlos do Carmo e Camané.
Louva-se o projecto, mas desconfia-se do resultado…

sábado, 27 de janeiro de 2007

L' Aventure...


Um grupo de assaltantes de bancos entende que o seu “ofício” já não é suficientemente lucrativo, e decide mudar de “ramo”, optando por raptar celebridades.
Só que este grupo tem uma característica especial: os seus cinco componentes são completamente idiotas, a roçar a acefalia.
É claro que os actores escolhidos não podiam ser melhores para o efeito: Lino Ventura, Jacques Brel, Charles Denner, Charles Gerard e Aldo Maccione.
É verdade, Brel, que não deixa os seus créditos como actor por mãos alheias, demonstrando que o seu talento não se resumia às suas célebres canções.
Interpretações portentosas de todos eles.
Claude Lelouch realizou, em 1972.
O filme é um festival permanente de boa disposição e gargalhada.
Lembro-me bem de o ter visto, pela primeira vez, no cinema “Mundial”, e não sei como as cadeiras resistiram, tantos os saltos que os espectadores davam, incapazes de controlar o riso. Já perdi a conta às vezes em que o revi.
Recomendo vivamente, até porque existe em DVD.
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