
"Podemos passar toda uma vida, mas se formos honestos connosco, nunca o nosso trabalho foi perfeito".
"A minha vida foi uma longa corrida. Amei cada minuto".
"O cinema não tem fronteiras nem limites. É um fluxo constante de sonho". Orson Welles



Richard Widmark nunca foi uma “estrela”, ou pelo menos, como tal considerado, mas ao longo da sua extensa carreira provou que nem sempre as grandes interpretações são exclusivas das grandes vedetas.
Nascido em 1914, estreia-se no cinema em 1947 com “Kiss of Death”. O sucesso foi tal que a “20th Century Fox” contratou-o de imediato, para além de ter sido nomeado para o Oscar de Melhor Actor Secundário. O que, para um estreante, não estava nada mal…
Ao longo de décadas, Widmark seria presença constante nos cartazes, destacando-se a sua participação em filmes como “Panic in the Streets”, “O.Henry’s Full House”, “The Alamo”, “Judgment at Nuremberg”e “How the West was Won”, para citar apenas algumas das mais de sessenta películas em que participou.
Actor “consistente”, Richard Widmark é um dos “ícones” do western, mas tem papéis memoráveis fora dele.
Aqui o temos no seu primeiro filme, “Kiss of Death”.

Sempre o considerei um grande actor.
Não por ser velho, porque a idade não retrata talento onde ele não existe.
Mas Fernando Fernan Gomes (1921 – 2007), que morreu há poucas semanas, era de uma versatilidade espantosa, um artista na verdadeira acepção da palavra. E para além de actor, foi também realizador e escritor.
Desde os anos 40 até este ano, rodou mais de uma centena de filmes, deixando para a posteridade a sua marca, a sua qualidade, a sua categoria.
Trabalhou com todos os grandes realizadores espanhóis, escreveu novelas, memórias, peças de teatro, livros para crianças.
Através do magnífico “site” do “El Pais”, tive oportunidade de ver um pequeno filme sobre o seu velório, e não me surpreendeu que a urna tivesse sido colocada num palco. Num teatro. E que as pessoas que por lá passaram, e foram milhares, se sentassem em cadeiras também no palco.
Um grande Senhor.


É o herói da “capa e espada”.
Não era um “grande” actor.
Os filmes que protagonizou estão hoje nos baús do esquecimento.
“Datados”, são simples histórias, para crianças hoje adultas, que as viram há muitos anos, nos cinemas deste país.
Cantinflas, de seu nome Mario Moreno (1911 – 1993), é um personagem humilde, pobre, sempre amigo do próximo, bem intencionado e honesto.
No fundo, o México aproveitou-o para também se promover internacionalmente, tendo Charlie Chaplin dado uma boa ajuda quando classificou Cantinflas “o melhor comediante do mundo”, frase que me parece exageradíssima…
Em miúdo, vi muitos dos seus filmes.
E tenho saudades.
Sabemos que o “muito bom” é diferente do “excepcional”, e quando coexistem, o primeiro fica sempre relegado para um plano secundário.


Para o público de hoje, o seu nome pouco dirá.

Marcello Mastroianni (1924-1996) começou por ser um caso de sucesso em Itália, e depois por toda a Europa. E para isso muito contribuiu “La Dolce Vita”, que Fellini roda em 1960.
As palavras seguintes são do próprio realizador:
“ “La Dolce Vita” foi a primeira película em que trabalhei com Mastroianni. Recordo-me de lhe dizer: Chamei-te porque precisava de um sujeito normal, sem personalidade, sem expressão, banal, como tu. Não lhe disse isto com má intenção. Não quis ofendê-lo…ele representa também o tipo de homem ideal. É o homem que todas as mulheres desejariam”.
O que Fellini não disse, é que Mastroianni provinha da “escola do teatro”, onde durante anos trabalhara com Visconti. E que no cinema, onde se estreou em 1947, contracenou, entre outros, com Silvana Mangano, Lollobrigida, Vittorio Gassman e Giulietta Masina. Isto é, Mastroianni teve, desde o início, excelentes parceiros, com quem muito foi aprendendo, desde os grandes realizadores italianos, a todos os grandes actores e actrizes seus contemporâneos.
Ele próprio, um dos maiores de sempre.
Participou em 143 filmes, número impressionante, mesmo numa longa carreira.
Destacar este ou aquele, parece-me desnecessário. Seriam dezenas a merecê-lo.
Morreu em Paris, e quando o corpo foi trasladado para Roma, onde esteve em câmara-ardente no Capitólio, houve uma senhora que o velou toda a noite, e quase sempre sem se sentar. Seu nome, Sophia Loren.
E Dino Risi, um dos realizadores que o dirigiu, afirmou:
“Apagou-se o coração do cinema italiano. A sua alma mais bela”.
Marcello Mastroianni.
Uma lenda.
João Villaret.


